Olhar Diverso por Raquel Ramos Machado

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22 - março 2012
por raquelrmachado na categoria Afeto, Leitura, Questões epistemológicas

Haja inverno na terra, não na mente.

Gosto de ler por vários motivos. Um deles é porque a palavra lida fica muito mais retida. Leva um tempo desde a alfabetização até que os olhos possam correr as letras com rapidez formando imagens e histórias. Mas quando o hábito da leitura nos leva a esse momento, a palavra é pura magia e entra no espírito, como se fosse possível tatuar sua significação na alma. Nós precisamos de algumas palavras tatuadas, de símbolos que incorporamos ao ser. Não é por pura estética que as pessoas tatuam frases ou desenhos no corpo. É por necessidade de carregar um pouco de poesia, de lirismo, de beleza.

Pode parecer tolo ou banal um livro lido na infância, com ensinamentos exagerados ou românticos sobre a vida, mas acumulamos a esperança e as lições das palavras. Talvez o exagero seja até necessário. Afinal, são muitos os movimentos da vida em sentido contrário. É como se o exagero fosse reserva de fé no que nem sempre é crível (como os príncipes de contos de fada).

Digo tudo isso, porque, nesses dias, precisei da Polyana como companhia, com seu jogo do contente (irritante para alguns, e difícil de ser jogado. Desafiador, mas gratificante). Desde criança, meus pais, meus familiares, meus amigos me educaram e educam, mas também os personagens dos livros me educam, suas ideias e frases. E sou grata a cada um.

ps: A frase em destaque é trecho do poema ‘O que sentimos é o que temos’ de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa

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