Olhar Diverso por Raquel Ramos Machado

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13 - abril 2012
por raquelrmachado na categoria Leitura, Questões epistemológicas

A linguagem liga um ser a outro, e permite melhor a compreensão das próprias ideias. É engraçado conversar com uma pessoa com pouco vocabulário, e ficar ouvindo as mesmas expressões: “tipo assim”, “massa”, “legal”, “pois é”, não apenas uma vez, mas várias. Uma música que se repete, na mesma linha do refrão.

Brinco com meus filhos que eles precisam ler para poder namorar ou casar, relacionarem-se de qualquer forma. É claro que isso é uma grande bobagem e um exagero, até porque há outras formas de adquirir conhecimento e vocabulário. Mas digo por crer que a arte da conquista, seja de que natureza for, exige linguagem. A leitura é um caminho já sabido, fácil.

Atualmente, estou lendo Noturnos “(histórias de música e anoitecer)” do Kazuo Ishiguro. Encanta-me a sua escrita. Através das palavras, ele torna a realidade mais perceptível. Por exemplo, em determinado momento de uma de suas histórias, ele narra o fato de que a música está com o volume muito elevado e impede que as pessoas travem conversas. Mas no lugar de simplesmente fazer a narrativa comum, ele invoca palavra habitualmente utilizada em outro contexto, e que possibilita a visualização da cena de forma mais ilustrada:

“Agora um sofisticado sistema de som CUSPIA um rock em volume tão alto que era preciso falar aos gritos.” (p. 41)

Adorei a “cuspida”! Realmente, percebe-se melhor a violência com que o som sai da caixa.

As palavras são elementos mágicos, ampliadores da noção de mundo. São muitas vezes um simples negro no branco, mas que têm cor, forma, som, cheiro.

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