Olhar Diverso por Raquel Ramos Machado

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03 - setembro 2012
por raquelrmachado na categoria Sem categoria

 

Conto algo bobo, mas que revela como as bobagens ocupam um lugar importante do pensamento. Caso alguém não as pense, por favor, dê-me a dica.

Quando cai do cavalo, tinha acabado de comprar linda calça de equitação, com botões prateados. Era a primeira vez que a usava. A compra foi complicada, porque a realizei logo depois da hora do almoço, em uma sexta, em que o trânsito é ainda mais efervescente. Era como se a vida estivesse a dizer: abandona essa idéia. Mas o desejo encasquetou na cabeça. Depois de voltas no quarteirão, consegui estacionar o carro em frente à loja e comprei.

Durante toda a confusão e o passeio de ambulância, entre pensamentos mais sérios, vinha-me à mente quase que de forma involuntária: Por que isso foi acontecer justo no dia em que estava inaugurando minha complicada calça nova?

Na cama, em recuperação, refletia: quando estiver bem, quero viver novamente a cena, com a mesma roupa, e sentir que vai ser diferente. Talvez só assim, compreenda a significação da palavra acidente: fato ao acaso que não necessariamente irá se repetir.

Algumas pessoas perguntavam se eu teria coragem de voltar a montar, se eu tive ou tenho medo, ao que respondo:

- Sim, tive e tenho medo, não só disso, mas muitos outros. Apenas não posso deixar o medo dominar. É um exercício constante de fazer escolhas, guiada por outros critérios que não apenas o medo.

Tudo é frágil, porque a vida o é. A força não está nas coisas, nem propriamente em nós, está na ilusão temporária de que o instante perdura. Somente juntando instantes, construímos um caminho do qual, na verdade, por mais que imaginemos, não sabemos todo o percurso.

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